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ODS: A DISTANTE LINHA DE CHEGADA NA CORRIDA DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

por Leonardo Arthur



É sabido - e muito difundido - que o globo terrestre não é uma fonte incessante de recursos. O capitalismo agressivo, o consumismo exacerbado e a falta de políticas públicas eficazes são alguns dos contribuintes para a degradação da atmosfera e do meio ambiente, acarretando o comprometimento da habitabilidade planetária. Inúmeras medidas são necessárias a fim de mitigar e contornar esta problemática. Assim, a Organização das Nações Unidas (ONU) mobilizou-se e criou, em 2015, uma agenda com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) para 2030. Contudo, ainda hoje, o total cumprimento das diretrizes aparenta estar longínquo.


O core da ideia, no entanto, surgiu 15 anos antes, em setembro de 2000. A proposta era, em suma, a mesma: constituir uma parceria global para reduzir a pobreza extrema; embora fosse estruturada em uma série de oito preceitos, chamados de Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM). Abordando pautas como redução da mortalidade infantil, combate a doenças - Aids, Malária e outras - e igualdade entre sexos, os ODM foram os precursores do movimento antipobreza de maior sucesso da história, segundo a ONU. Ao longo dos 15 anos de vigência, a Declaração do Milênio promoveu significativos avanços sociais no mundo todo.


No Brasil, ela norteou todas as políticas públicas federais implantadas a partir de 2003. Devido a isto, o país foi exitoso no atingimento das Metas ODM pactuadas com a ONU, tornando-se protagonista no processo de negociação multilateral, responsável pela produção da nova Agenda de Desenvolvimento, composta pelos 17 ODS.


Era nítida a problemática: a Declaração Mundial não correspondia mais aos anseios da humanidade por um mundo melhor. O desempenho no cumprimento da agenda era, notoriamente, satisfatório. Todavia, o mundo necessitava e aspirava por mais mudanças. Assim, o processo de renovação do compromisso global, em 2015, foi inerente. Além de serem mais inclusivos e contemplarem as dimensões econômica, social e ambiental, os ODS trouxeram a consolidação do conceito de desenvolvimento sustentável, permeando tópicos já explorados e destrinchando melhor os pontos de atenção.


Deste modo, buscando fomentar a cooperação mútua em prol do pleno cumprimento dos propósitos, bem como a atribuição de responsabilidades, surgiu o ODS de número 17. O objetivo traz um latente senso de preocupação aos signatários, dado que explicita a formação de parcerias como meio para a implementação da agenda. Alinhado ao ODM 8, o ODS 17 prevê uma mobilização não só público-privada, mas também a sinergia entre pessoas com o mesmo propósito, para que seja viável um mundo mais desenvolvido e justo.


Com a chegada da pandemia, a relevância da pauta aumentou significativamente. Muito se fala do “novo normal” e de como serão as perspectivas acerca do desenvolvimento sustentável e dos atos altruístas que abrandarão os problemas provenientes da crise sanitária. E, embora o mundo esteja progredindo, os resultados se mostram inconstantes e insatisfatórios para alcançar todos os ODS previstos na Agenda 2030. Para o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, o momento é extremamente delicado. Em seu discurso, na abertura do encontro de ministros durante o Fórum Político de Alto Nível sobre os ODS, Guterres afirmou que as consequências da pandemia podem causar anos e até décadas de atraso por causa dos desafios fiscais e de crescimento que os países terão que enfrentar.


Para o filósofo inglês John Locke, é dever do Estado garantir a todos os cidadãos o exercício pleno dos direitos constitucionais (muitos deles reafirmados pelos ODS). Não obstante, são do 3º Setor e do Setor 2,5 que surgem as soluções mais audaciosas e efetivas. Com estruturas e atores diferentes, o que converge os dois setores é a atuação com propósito. É o caso do programa Covida20, oriundo da iniciativa de várias instituições, que promove financiamento para negócios de impacto que estejam comprometidos com a manutenção de emprego e renda durante a Covid-19. E, felizmente, a tendência é que projetos como esses sejam fomentados e estejam mais presentes, viabilizando um empreendedorismo inovador e socialmente comprometido.


É importante pontuar, também, outro ator de grande relevância no contexto do desenvolvimento sustentável e do impacto socioambiental, o Sistema B. Com a missão de construir um ecossistema favorável para fortalecer empresas que usam a força do mercado para solucionar problemas sociais e ambientais, o movimento já é um sucesso mundial, tendo corporações presentes em 5 continentes. Em meio ao cenário pandêmico, um caso de prestígio é a Fleximedical. Criada ainda em 2005, pelo médico e empreendedor social, Roberto Kikawa, teve sua concepção como empresa de inovação tecnológica na área da saúde. Assim sendo, em 2020 atuou fortemente no enfrentamento da Covid-19, por meio do fornecimento ágil de unidades de saúde para exames, triagem, testagem e consultas.


Destarte, é inadiável a discussão a respeito das responsabilidade individuais e coletivas, almejando um mundo com melhor qualidade de vida. O que nós, enquanto cidadãos, podemos fazer, para cumprir com os ODS? E qual o papel das organizações para se atingir essas metas? O que elas têm feito e como têm feito?


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